Desculpem-me, se o texto hoje é pesado, mas me foi inevitável escrevê-lo.
Às vezes me pergunto por que nos assustamos tanto com ‘acidentes’ como o do bonde de Santa Teresa, ou o da explosão do restaurante no Centro. Por que nos assombramos com bueiros indo aos ares pela cidade, ou com as enchentes que tanto devastam?
Sim, mortes e famílias arremessadas ao breu da tristeza e da desolação acabam conosco. Isso não é estranho.
A questão que levanto hoje aqui é por que nos assustamos? Por que, se sabemos que, como em uma crônica de morte anunciada, a qualquer momento, em qualquer setor, uma nova desgraça pode acontecer como fruto da falta de responsabilidade, de consciência, de ética.
Será que, enquanto discutimos sobre anúncios de lingeries, reality shows, jogos de futebol e outras coisas assim ‘importantes’, nos esquecemos de enxergar todo o absurdo que nos cerca a cada instante?
Tudo anda e avança gananciosa e cegamente para frente, sobre campos minados pela inconsistência / incompetência / inconsciência de um poder público que jura, sempre, uma vez acontecida a tragédia, tomar, a partir de então, as atitudes que já deveriam ter sido tomadas desde sempre. Será que meia dúzia dessas palavras, declaradas em tom de pesar, realmente nos convencem?
Isso se repete, toda vez... como uma brincadeira de criança... será que não percebemos isso ou preferimos nos acomodar na esperança de que, de fato, as coisas passem a acontecer como deveriam?
É claro, o ideal seria que não fossem necessárias fiscalizações, cobranças e punições. Que em todos os âmbitos da sociedade, cada um de nós assumisse, com competência, suas responsabilidades. Mas vamos ser realistas...- por motivos inúmeros, que demandariam muito mais tempo e espaço para serem discutidos - precisamos de um poder público que exija e cobre isso...
E quem sabe, um dia, a justiça, internalizada em todos nós, será capaz de evitar tanta leviandade.
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