Por mais que sejamos acomodados, vamos nos deparando, ao longo da vida, todos, inevitavelmente, com inúmeras mudanças. E isso não é novidade alguma. São mudanças físicas, mudanças interiores, mudanças que escolhemos e as que nos são impostas pelos outros ou pela própria vida. Mudanças que acontecem sem que nos demos conta, mudanças que simplesmente nos devastam, e outras que só vamos entender e até valorizar depois de passado algum – quem sabe muito – tempo. Mudanças que sabemos necessárias mas que nos são difíceis – para alguns, até mesmo impossíveis – de realizar, mudanças repentinas, mudanças ousadas.
Mas o que anda rondando meus pensamentos, especialmente, e que divido aqui com vocês, é a dificuldade que às vezes temos em enxergar que mudamos sempre de uma situação para outra, e não para o nada. Mesmo que sintamos um certo vazio em determinados casos, este vazio é uma nova situação e dever ser encarada de frente, para que possamos, de fato, seguir ‘em frente’ e construir o novo.
Percebo que há casos em que demoramos a romper realmente com o que antecede a mudança, com o ‘velho’. E acabamos acumulando rastros e restos de situações que já azedaram, que já são velhas, passadas. E o pior é que, por este motivo, muitas vezes deixamos de enxergar as novas possibilidades, de tirar o máximo do novo que se apresenta e até mesmo corremos o risco de jogar pela janela o que já começou a se delinear. Esses rastros e restos, como uma simples gota de limão em um litro de leite fresquinho, podem ter certeza, são capazes de azedar todo o caminho adiante.
Como se seguíssemos na linha do tempo do caminho da vida – pois não há outra opção – mas andando de costas, olhando para trás, para o que já se foi e não é mais. Ao invés de olharmos pra frente e buscarmos os novos alicerces pra uma nova construção. Trazer aprendizados do que já vivemos para o nosso presente, sim. Andar de costas, NÃO! Andar de marcha à ré na vida atrasa nosso próprio percurso, atrapalha os outros e ainda dificulta o desvio do abismo.
Tudo na vida demanda esforço – impossível, para mim, pensar o contrário – e colocar um ponto realmente final no que, se teve de mudar é porque já passou, é um esforço cuja recompensa vale sempre a pena.
A vida só anda, se pra frente!

