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domingo, 18 de setembro de 2011

CUIDADO COM AS FANTASIAS

Fantasias, temos todos!

Podem ser saudáveis e nos motivar a seguir em frente na vida.

Podem, ao contrário, paralisar aqueles que, ao perceberem que os acontecimentos de sua vida não estão seguindo o rumo idealizado por eles, acabam por desistir e não fazer mais nada.

E as fantasias podem ainda fazer com que alguns de nós, insatisfeitos por não alcançarem o estágio fantasiado, mudem constantemente de rumo, criando rupturas e forçando desvios, sem conseguirem concretizar nada por inteiro. E é este o ponto que gostaria de abordar hoje.

Não falo aqui de planos - estes são fundamentais para o desenrolar de nossas conquistas - mas de idealizações, que acabam por atrapalhar nossa realidade.

Diversos aspectos de nossas vidas podem ser visivelmente afetados por nossas fantasias, passando por nossas escolhas profissionais, nossas amizades e nossos relacionamentos amorosos.

Reencontrando esta semana uma amiga com quem não conversava há alguns anos, pensei neste texto. Ela me contava sobre sua longa e mal sucedida lista de namorados depois da ‘decepção’ que havia sofrido com o fim do primeiro casamento, no qual - ela idealizara...- viveria feliz para sempre.
   
De fato, normalmente, o primeiro relacionamento amoroso duradouro é normalmente mais idealizado do que os outros, pois temos mais expectativas e menos experiência. Fantasiamos que não teremos os problemas que vimos em outros casais, que seremos eternamente apaixonados e que viveremos em um verdadeiro paraíso, como nos antigos filmes de Hollywood.

Acontece que a realidade vai nos mostrando que as coisas não são assim. E então, cada um de nós vai reagindo de maneira própria e individual.

Algumas pessoas, após a primeira separação, se fecham, e veem o tempo ir embora sem,  nem ao menos, tentarem refazer a vida amorosa. Magoados com o destino que as escolheu como ‘única vítima’ da desilusão amorosa, abdicam de sua afetividade e sexualidade e vão cuidar de negócios, da casa, dos pais, dos filhos e netos, ou seja, se dão razões nobres para não viverem, pois quem ousaria falar mal do trabalho ou da família?

Outras se fecham também, mas para qualquer relação que possa ser aprofundada. E passeiam por pares, superficialmente, como se por puro entretenimento. O vazio me parece inevitável.

Por fim, há aquelas pessoas que começam a viver a vida de relação em relação, em busca do novo ‘par perfeito e definitivo’. Mas me pergunto, como esperar encontrar o definitivo se vivendo no transitório? Essas pessoas costumam ter sempre em mente que deve existir alguém mais perfeito ainda para elas, e facilmente terminam, consciente ou inconscientemente, os relacionamentos para se envolverem em outro, em outro e em outro... 

Neste ponto me surge, então, uma série de questionamentos.

Será que, se deixarmos de lado as idealizações e olharmos para nós mesmos, para os outros e para a vida com olhos mais realistas, não poderemos ter mais satisfação?

Será que, se esquecermos as expectativas e as cobranças de uma ‘relação-modelo’ não conseguiremos mais facilmente a estabilidade afetiva e sexual que toda relação deveria nos proporcionar?

Será que, se, mesmo que apaixonados, nos esforçarmos para sermos menos sonhadores e fantasiosos, não teremos mais possibilidades de construir uma relação respeitosa, que nos fortaleça, que nos faça crescer individualmente e como casal?

E será que vale a pena?

Penso que o esforço pode, de fato, valer sim.

E vale também lembrar que NINGUÉM está definitivamente preso a nenhuma das situações mencionadas mais acima. Sempre é tempo de enxergarmos novos rumos, de tentarmos novos caminhos, de nos transformarmos. E disso, pode acreditar, eu tenho certeza!