domingo, 11 de setembro de 2011

ALGO SOBRE A FELICIDADE

Li ontem uma entrevista sobre relacionamentos amorosos, da qual retiro a resposta para a pergunta sobre a difícil felicidade na vida a dois.

Disse o professor entrevistado que a questão não era o grande número de casais infelizes (ou não felizes) na vida a dois, mas o grande número de pessoas que não são felizes, com ou sem alguém. Segundo ele, viver ‘feliz’ é algo que poucos conseguem, independente de terem um par ou não.
   
Agradou-me a resposta, considerando a ‘felicidade’ como um conjunto de situações internas e externas que levam a mais ou menos momentos felizes e não como um estado permanente e eterno, pois a coloca em seu devido lugar, ou seja, dentro de cada um de nós e dependente exclusivamente de cada um.

A vida a dois já tem sido responsabilizada demais. Por que não dizer que fulano não é feliz, no lugar de fulano não é feliz na vida amorosa? A felicidade é um bilhete lotérico? Está entregue nas mãos dos deuses? Ou cabe exclusivamente a nossos parceiros nos fazer felizes ou infelizes? Nós não temos nada a ver com a nossa felicidade?
   
Coitada da Maria, mas também vivendo com João, que não consegue se estabilizar em emprego nenhum. E o que dizer de José, com aquela companheira que não o valoriza e está sempre querendo gastar mais do que ele consegue ganhar. Isto para não falar da Carla, pobrezinha, cujo marido a deixou por uma jovem de vinte anos. Pior é caso de Antônio, traído pela mulher e por seu suposto melhor amigo. A lista não tem fim.
   
Todas as personagens acima são infelizes porque são infelizes nos seus relacionamentos? Não é verdade! Ou se em algum caso o for, o problema não está no relacionamento, mas na maneira como cada um encara a sua vida e se coloca diante deles.

Somos os responsáveis por nossas escolhas, e deveríamos sempre ter isso muito claro dentro de nós, antes de culpar a todos ao nosso redor por nossos problemas. Não podemos depositar no outro algo que só nós podemos desenvolver e cultivar.

A ‘vida a dois’ não é uma espécie de entidade única, abstrata que surge do nada, trazendo a promessa de uma felicidade eterna, mas uma construção que tem de ser habilmente trabalhada pelas duas partes. Duas partes inteiras, e não duas metades, incompletas, e a espera de que um outro a torne inteira. E esse relacionamento só vai resultar em felicidade se cada um estiver consciente da importância deste processo. 

Afinal, neste caso, ‘dois’ tem de ser a soma de ‘um’ MAIS ‘um’. Se não, é só um conjunto de letras, sem significado, totalmente vazio.

E quem conseguiria ser feliz no vazio? Penso que ninguém!

Nenhum comentário:

Postar um comentário