Ora, o aviso pelo alto-falante fora dado inúmeras vezes de forma audível, por que aquelas pessoas não ‘escutaram’ embora tenham, fisicamente, ouvido a mensagem, e agiram como se nada tivesse sido dito. Se fosse uma só pessoa a não ouvir, poderíamos pensar que estava distraída, ou que poderia ter alguma deficiência auditiva. Mas 50?
Como não se trata de um caso isolado, podemos pensar em uma surdez coletiva. Sim, ela existe. E não é só distração, talvez esteja mais relacionada à falta de hábito de realmente escutar e pensar no outro. Ou será que a expectativa de se ouvir algo faz com que se ouça o que não foi dito.Eles estavam ali, na plataforma, à espera do trem que os levariam para casa ou para o serviço, logo como o trem não faria isto?
Não sei com certeza o que causa esta conduta, só me atrevo a constatá-la e fazer especulações. De qualquer forma, acho que ela merece atenção, já que, certamente, não acontece por acaso. O fato é que existe uma surdez, individual e coletiva. A surdez individual poderia ser fruto de egoísmo ou, pelo menos, de egocentrismo. O sujeito está tão voltado para si mesmo que não escuta o que o outro, a seu lado, fala. É uma leitura possível, mas não me satisfaz. Acho que há mais coisa nesta surdez, pois ela é numerosa. E, pior, ela não será tratada por otorrinolaringologista algum. As pessoas do metrô
permanecerão surdas.
Se um aluno na escola não entende por que fez determinado erro no exercício ou na prova, provavelmente o repetirá.
Assim é na vida: se as pessoas não sabem por que não ouvem, continuarão surdas. Os verdadeiros surdos têm dificuldade de interpretação: como não sabem o que está sendo perguntado, respondem qualquer coisa. O meu receio é este. Pessoas como as do metrô, se não percebem o que acontece a sua volta, também podem acabar por viver qualquer coisa.
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