Quem um dia não ficou satisfeito por estar chovendo e, portanto, ter uma boa desculpa para não sair? Só que esta saída, na verdade, significava algum prazer, como ir a um passeio, à praia ou ao cinema. Ora, por que ficaríamos satisfeitos em não fazer algo que, a princípio, seria a realização de um desejo? É estranho, mas é verdade, às vezes acontece, e praticamente com todos nós.
A questão que interessa é: por que usamos tantas desculpas, como por exemplo a chuva, para não agir? E mais ainda: por que queremos não agir, se a vida se dá justamente nas ações, mesmo que pequenas e simples? Por que queremos nos poupar da vida, atrás de uma vidraça, olhando a chuva que cai e falsamente lamentando não podermos ir à praia, onde nadaríamos, pegaríamos sol, conversaríamos com os amigos e apreciaríamos a paisagem?
Resposta número um, mas não única: temos a tendência à autossabotagem e esta ocorre em diversos níveis. Ficar em casa em dia de chuva é só um deles, e não é o mais grave, claro.
Resposta número dois: a lei da inércia. A vida em recintos fechados nas grandes cidades acostumou o corpo e a mente a espaços pequenos e, como já foi dito, fechados, limitados. A insegurança das ruas enxota cada vez mais o cidadão para as quatro paredes. Repare que, desacostumado de se mover, o corpo, assim como a mente, tem dificuldade de movimento, preferindo, normalmente, não fazer esforço.
Quantas vezes nos acomodamos no que até chamamos, para adoçar a situação, de preguiça e afirmamos que hoje não, mas da próxima vez iremos à praia, ou teremos mais tempo para o bate-papo com os amigos. Da próxima vez estaremos mais bem dispostos para uma caminhada ou nos prepararemos melhor para este ou aquele programa cultural... Mas hoje, evidentemente, não podemos.
Não! ‘A próxima vez’ não é mais esta vida. E talvez não seja outra. Movimentar-se e assistir um pôr-do-sol, ao vivo, no Arpoador, por exemplo, pode, muitas vezes, iluminar mais caminhos do que os tantos e tantos watts que clareiam os cômodos por detrás de suas janelas. E se chover? Que tal um fondue com os amigos, ou uma bela sessão de cinema? Sim, hoje!

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