domingo, 7 de agosto de 2011

DA ARTE DE SE AGRADAR

Seja qual for nossa atividade profissional, sempre nos deparamos com pessoas que pensam de forma diferente da nossa ou até mesmo oposta a ela. Isto faz parte da rotina do trabalho, e por que não dizer da vida. Não podemos esperar uma aceitação unânime, nem devemos nos melindrar, quando escutamos críticas ou censuras ao que fazemos, pois nós também somos permanentemente críticos dos outros.

Logo, não devemos achar que uma opinião contrária seja algo pessoal, dita para nos magoar ou nos aborrecer. Além do mais, não necessariamente o nosso ponto de vista é sempre o mais certo ou o mais adequado. É importante acreditarmos no que pensamos, mas isto não é garantia de que nosso modo de pensar seja o melhor ou o único possível.

É preciso que estejamos sempre abertos a novas e diferentes ideias e opiniões, mesmo que elas acabem por nos deixar ainda mais seguros quanto às nossas. Podemos, muitas vezes, aprender com os outros e reformular nossos pensamentos e crenças sobre vários assuntos, inclusive sobre nosso próprio ofício.

Se nosso trabalho, por exemplo, tem uma relação direta com o público, como ocorre com artistas e jornalistas, a receptividade e a opinião alheia são elementos imediatos. Os comentários e críticas surgem logo que a música, o texto, a peça ou o artigo são lançados ao mercado. Em pouco tempo sabemos se agradamos ou não, a esta ou àquela classe ou faixa etária etc, o que não se dá com a maioria das profissões. Por isso, dizemos muitas vezes que determinado autor escreve comédias pensando na resposta do público ou que aquele compositor faz músicas fáceis, para ter uma venda maior...

Mas a realidade é que, seja qual for nossa atividade profissional, sempre queremos, e até precisamos, agradar a alguém. E não conseguiremos nunca agradar a todo mundo. Sempre haverá quem discorde de nós, o que é esperado, e não deve ser visto como um mal.

O que não podemos é nos desagradar, sob o risco de não nos reconhecermos e de nos dispersarmos. Agradar a si mesmo não deve ser entendido como um ato egocêntrico, mas como autorrespeito.

Tanto não devemos defender ideias ou assinar textos com os quais não nos identificamos, como não devemos assinar os dias que não vivemos com a intensidade e a verdade que merecem.

A vida deve ser sempre uma obra autoral.

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