terça-feira, 2 de agosto de 2011

O DIA A SEU ALCANCE



Era domingo de outono e fazia sol. Mal abri a janela, a lembrança da floresta da Tijuca entrou. Há tempos não a frequentava. Liguei para uma amiga que aceitou bem a ideia do passeio. Saímos depois do café, sem levar o jornal. Sentia falta da natureza, não de reportagens sobre o mundo. Queria o mundo matéria, não a sua versão a serviço de algum interesse. Houve uma época em que eu costumava ler o jornal de domingo na praia, ou em algum ponto tranqüilo e verde da cidade. É curioso como os hábitos surgem e se vão, muitas vezes, sem que percebamos. Bem, mas o que sei é que domingo passado, então, escolhi caminhar, respirar o ar puro da floresta, sentir a energia das árvores, apreciar as variações da natureza.

Sem a menor dúvida, somos privilegiados por morar em uma cidade que possui uma floresta desta extensão e relativamente tão próxima a vários bairros. Quem pode, vivendo em uma área urbana, estar dentro de uma floresta, em cerca de trinta minutos? Nós! Acontece que, como podemos, acabamos nos esquecendo de fazê-lo. Sabemos que, a qualquer momento, podemos pegar um carro ou mesmo um ônibus e ir até lá, pois ela estará sempre à nossa espera, e, de preferência, ensolarada. E é justamente por isso que acabamos nos esquecendo dela.

Lá, sentada, à beira de um lago, apreciando as vitórias-régias, perguntei-me por que levava tanto tempo para voltar à floresta, sendo ela tão perto e tão agradável. Após três horas de passeio, com direito à caminhada, banho de cascata, descanso, reflexão e bate-papo, descemos revigoradas para a cidade, com a promessa, para nós mesmas, de voltarmos no domingo seguinte.

É claro, alguns de nós preferem a agitação da metrópole e até sentem-se melhor nos centros das grandes cidades, mas e você? Pense bem! Onde se encaixa? Se quiser descobrir ou se já souber que, como eu, tem na natureza uma grande fonte de vida, é hora de agir. Pode ser que em sua cidade não haja uma floresta como a da Tijuca, nem um grande parque como o Ibiapuera ou mesmo um ‘Central Park’, mas deve haver algum parque menor, uma praça, uma cascata, um lago, ou qualquer outro lugar onde você possa estar em contato com o verde. Você pode visitá-lo no próximo domingo, e quem sabe mesmo criar o hábito de frequentá-lo aos fins de semana ou, ao menos, com uma certa regularidade. Você logo perceberá como isto vai lhe fazer bem e como as semanas poderão ser vividas com mais energia e harmonia.

De minha parte, da floresta, trouxe, além do ar novo nos pulmões e da paisagem nos olhos, três perguntas fundamentais: por que não fazemos coisas tão simples e que nos dão tanta satisfação? Por que estamos sempre querendo ir para onde supomos esteja a vida? Por que não vemos que, a cada dia, a vida está a nosso alcance?

Um comentário:

  1. É isso mesmo, querida...boa dica! E a próxima vez em que fizer isso, me chame. Bjs. E adorei a foto da ÁRVORE.

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